terça-feira, 14 de junho de 2022

Memória Viva

 


Zila, indecida, na

porta do convento,

renegando a vocação

farejando a poesia num

princípio de tontura

 

 

Zila, abismada,

trancada no quarto,

lendo Amor de Perdição

à luz do candeeiro,

curiosidade e quentura

 

 

Zila, faceira,

tirada para dançar

por Antonio Pinto,

homem casado

com a literatura

 

Zila, no Recife

Besta diante do mar

Temendo ser engolida

até a praia do Forte

 - tamanha fundura.

 

 

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